domingo, 10 de abril de 2016

A morte da tartaruga e interpretação da fábula

Olá, o final deste texto já conhecemos: está no post anterior - Exercícios sobre artigos.

Leia agora o texto de Millôr Fernandes e depois copie as questões no caderno.
Responda as questões:

A MORTE DA TARTARUGA
O menininho foi ao quintal e voltou chorando: a tartaruga tinha morrido. A mãe foi ao quintal com ele, mexeu na tartaruga com um pau (tinha nojo daquele bicho) e constatou que a tartaruga tinha morrido mesmo. Diante da confirmação da mãe, o garoto pôs-se a chorar ainda com mais força. A mãe a princípio ficou penalizada, mas logo começou a ficar aborrecida com o choro do menino. “Cuidado, senão você acorda seu pai”. Mas o menino não se conformava. Pegou a tartaruga no colo e pôs-se a acariciar-lhe o casco duro.
 A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não queria, queria aquela, viva! A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede, lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação. Afinal, com tanto choro, o pai acordou lá dentro, e veio, estremunhado, ver de que se tratava.
 O menino mostrou-lhe a tartaruga morta. A mãe disse: — “Está aí assim há meia hora, chorando que nem maluco. Não sei mais o que fazer. Já lhe prometi tudo mas ele continua berrando desse jeito”. O pai examinou a situação e propôs: — “Olha, Henriquinho. Se a tartaruga está morta não adianta mesmo você chorar. Deixa ela aí e vem cá com o pai.”.
O garoto depôs cuidadosamente a tartaruga junto do tanque e seguiu o pai, pela mão. O pai sentou-se na poltrona, botou o garoto no colo e disse: — “Eu sei que você sente muito a morte da tartaruguinha. Eu também gostava muito dela. Mas nós vamos fazer pra ela um grande funeral”. (Empregou de propósito uma palavra difícil). O menininho parou imediatamente de chorar. “Que é funeral?” O pai lhe explicou que era um enterro. “Olha, nós vamos à rua, compramos uma caixa bem bonita, bastante balas, bombons, doces e voltamos para casa. Depois botamos a tartaruga na caixa em cima da mesa da cozinha e rodeamos de velinhas de aniversário.
Aí convidamos os meninos da vizinhança, acendemos as velinhas, cantamos o “Happy-Birth-DayTo-You” pra tartaruguinha morta e você assopra as velas. Depois pegamos a caixa, abrimos um buraco no fundo do quintal, enterramos a tartaruguinha e botamos uma pedra em cima com o nome dela e o dia em que ela morreu. Isso é que é funeral! Vamos fazer isso?” O garotinho estava com outra cara. “Vamos, papai, vamos! A tartaruguinha vai ficar contente lá no céu, não vai? Olha, eu vou apanhar ela”. Saiu correndo.
 Enquanto o pai se vestia, ouviu um grito no quintal. “Papai, papai, vem cá, ela está viva!”
O pai correu pro quintal e constatou que era verdade. A tartaruguinha estava andando de novo, normalmente. “Que bom, hein?” — disse — “Ela está viva! Não vamos ter que fazer o funeral!” “Vamos sim, papai” — disse o menino ansioso, pegando uma pedra bem grande — “Eu mato ela”.
MORAL: O importante não é a morte, é o que ela nos tira.
                                         Fernandes, Millôr. Fábulas fabulosas. São Paulo: Círculo do Livro, 1973.

1-    O narrador participa da história como personagem ou apenas conta o que aconteceu? Explique sua resposta.
2- O narrador emprega vários diminutivos: menininho, animalzinho, tartaruguinha, garotinho,Henriquinho.
a) Os diminutivos indicam o tamanho físico dos seres ou a afetividade com que são vistos na história?
b) Como os seres citados são vistos?
3-    O modo como o narrador se expressa, isto é, o registro que usa para contar a história, é  diferente do utilizado pelos personagens. Neste texto, eles usam o registro informal, pois são íntimos e estão conversando. Como você explica o fato de o registro do narrador ser muito próximo do usado pelos personagens no trecho “A mãe disse que comprava outra, mas ele respondeu que não queria, queria aquela, viva!”?
4-    Os personagens dialogam no texto. Que características da linguagem oral você percebe nesse diálogo?
5-    Há um trecho em que se lê “A mãe lhe prometeu um carrinho, um velocípede, lhe prometeu uma surra, mas o pobre menino parecia estar mesmo profundamente abalado com a morte do seu animalzinho de estimação.” A mãe promete ao menino brinquedos e, em seguida... uma surra. Essa sequência indica que sentimento da mãe em relação ao menino?
6- Ao conversar com o filho, o pai usa a palavra “funeral”, e o narrador avisa que ele empregou de propósito uma palavra difícil.
a) Que palavra fácil ele poderia ter usado e que é sinônimo de “funeral”?_________________
b) Qual a intenção do pai ao usar uma palavra difícil?
c) Ao explicar ao filho como seria o funeral da tartaruga, o pai usa linguagem coloquial, com marcas de oralidade. Quais delas você reconhece?
7- Por que o pai usa esse tipo de registro ao falar com o filho?
8- O funeral que o pai pretendia organizar era parecido com que tipo de evento? Por que o pai decidiu assim?
9- O narrador conta que a mãe mexeu na tartaruga e verificou que ela estava morta. No entanto, essa informação é falsa, pois o animal não havia morrido. Como você explica esse fato?
10- Como você entendeu a moral da história?

 Caprichar na atividade!
Professora Elisete, 10-04-16, 15:44h.


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