segunda-feira, 6 de junho de 2016

Poema de circunstância Mario Quintana

Olá,

eis um belo poema de Mario Quintana

POEMA DA CIRCUNSTÂNCIA




É muito interessante essa dicotomia de Quintana. Ao mesmo tempo em que amava a sua Porto Alegre, cidade que escolheu para viver toda a sua vida, sentia a falta das pequenas cidades interioranas. Talvez fosse isso mesmo que o fazia viver em Porto Alegre, esse cultivar da nostalgia que o tornava produtivo como poeta.
É celebre aquele seu pensamento:

Cidades grandes: dias sem pássaros, noites sem estrelas.

POEMA DA CIRCUNSTÂNCIA

Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O arranha-céu comeu!
E ainda falam nos mastodontes, nos brontossauros,
nos tiranossauros,
Que mais sei eu...
Os verdadeiros monstros, os Papões, são eles, os arranha céus!
Daqui
Do fundo
Das suas goelas
Só vemos o céu, estreitamente, através de suas empinadas
gargantas ressecas.
Para que lhes serviu beberem tanta luz?!
Defronte
Á janela onde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de permeio!
Sim, uma grande árvore...Enquanto há verde,
Pastai, pastai, os olhos meus...
Uma grande árvore muito verde...Ah,
Todos os meus olhares são de adeus
Como um último olhar de um condenado!

De: Apontamentos de História Sobrenatural

“Em Literatura, chamamos imagem a apresentação especial de uma realidade ou de uma ideia, que nos leva a criar representações mentais relacionadas aos nossos sentidos”
1)  Assinale a alternativa que contém uma imagem:
a) “Só vemos o céu, estreitamente”
b) “Defronte À janela onde trabalho Há uma grande árvore...”
 c) “Pastai, pastai, olhos meus”
d) “Uma grande árvore muito verde”

2) Nesse poema, o eu lírico
a) descreve um cenário fantástico, povoado de monstros pré-históricos que devoram a paisagem.
b) olha avidamente para o que resta da natureza, na paisagem urbana dominada por edifícios. c) narra um pesadelo, em que ele é prisioneiro no último prédio que resta na cidade.
d) está preso em um edifício, e sua última possibilidade de fuga é impedida por uma grande árvore, gestada monstruosamente pela paisagem urbana.

3) Quantas estrofes há no poema? Quantos versos?

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